Legalizar ou não?—Eis a questão

23/09/2011 11:23

Legalizar ou não?—Eis a questão

Não é hora de jogar a toalha

Não à legalização da maconha - essa é minha opinião acerca desse tema que vem mobilizando autoridades, dependentes dessa droga e leigos. Inicialmente, partirei de um ponto que considero essencial: o uso da maconha, assim como o de outras drogas, só acarreta prejuízos. Alguns podem argumentar que o efeito nocivo da “cannabis” (maconha) é bem inferior ao da cocaína, ao da heroína, entre outras drogas. No entanto, retorno a mesma questão: a maconha é prejudicial, o seu grau de malefício é relativo,pois,cada droga, dependendo da freqüência e da quantidade ingerida, pode ter conseqüências negativas diversas. 
Outros adeptos da legalização alegam que cada pessoa é dona de si, responsável pelos seus atos e pelo seu corpo, portanto, o Estado não deve interferir no acesso dos usuários às drogas, visto que os danos seriam tão-somente àqueles que as usassem. 
Mas, será mesmo que a droga só afeta as pessoas que a consome?
Longe disso, o poder da droga- seja ela qual for-, pode ser comparado a um redemoinho. Ou seja, ela vai sugando, paulatinamente e silenciosamente, todos que estão próximos. Em outras palavras, tento dizer que o usuário de droga é o principal agente de sua propagação, e não um mero consumidor masoquista. 
Existe também um grupo favorável à legalização defendendo a idéia de que tornando o uso da maconha lícito, o tráfico de drogas seria extinto ou extensamente reduzido. Novamente, indago: será mesmo que esse pensamento é correto? Só pessoas bastante crédulas acreditariam num argumento dessa espécie, pois o que não faltam no nosso país são produtos legalizados pela lei sendo comercializados por meios e técnicas ilícitas.
As pessoas também gostam de fazer comparações da maconha com o tabaco e com o álcool. Como o uso dos dois últimos é permitido pela lei, tenta-se relacioná-los com a maconha para que esta possa ser legalizada. Antes de qualquer coisa, é preciso ficar atento a uma idéia principal e constantemente mal interpretado por nós: um produto ser legalizado pela lei não indica necessariamente que ele seja benéfico. Pelo contrário, o álcool é o grande vilão em mortes no trânsito (são de números assustadores) e, juntamente, com o tabaco, um fator contribuinte para o surgimento de várias doenças.
Esclarecido isso, cheguei ao ponto fundamental dessa discussão: os efeitos da maconha podem não serem considerados tão danosos se comparada a outras drogas, entretanto, ela serve como porta de entrada para o uso de drogas com alto grau de periculosidade e de caráter mortal.
Por mais que seja uma tarefa árdua combater o uso da maconha, por mais que exija recursos financeiros por parte do Estado, e por mais que seja uma tarefa de difícil resolução, é preferível continuar na luta a, simplesmente, jogar a toalha e permitir a legalização dessa droga que é mais nociva do que muitos pensam. Portanto, finalizo, da mesma forma como comecei esse texto, reafirmando: não à legalização da maconha.

Klóvis Carício, estudante de Direito